23 de março de 2012

Comemoração (Refeição Noturna do Senhor)


As festividades constituíam parte integrante da verdadeira adoração de Deus, determinadas por Jeová para o seu povo escolhido, Israel, pela mão de Moisés. A palavra hebraica hhagh, traduzida por “festividade”, possivelmente deriva dum verbo que denota movimento ou forma circular, dança de roda, e, portanto, a celebração duma festividade ou festa periódica. Moh·‛édh, também vertido por “festividade”, refere-se basicamente ao tempo ou lugar fixo de reunião. — 1Sa 20:35; 2Sa 20:5.

Definição: Uma refeição em comemoração da morte de Jesus Cristo; por conseguinte, uma comemoração de sua morte, a morte que tem tido efeitos de muito maior alcance do que a de qualquer outra pessoa. Este é o único evento que o Senhor Jesus Cristo ordenou que seus discípulos comemorassem. É também conhecida como a Ceia do Senhor, ou a Refeição Noturna do Senhor. — 1 Cor. 11:20.

Qual é o significado da Comemoração?
Jesus disse a seus fiéis apóstolos: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Luc. 22:19) Ao escrever para os membros da congregação cristã, gerada pelo espírito, o apóstolo Paulo acrescentou: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.” (1 Cor. 11:26) Portanto, a Comemoração focaliza especialmente ao significado da morte de Jesus Cristo no cumprimento do propósito de Jeová. Sublinha o significado da morte sacrificial de Jesus, especialmente em relação ao novo pacto e ao modo como a morte dele influi nos que serão herdeiros com ele do Reino celestial. — João 14:2, 3; Heb. 9:15.
A Comemoração é também um lembrete de que a morte de Jesus e a forma como esta se deu, em harmonia com o propósito expresso de Deus, em Gênesis 3:15 e mais adiante, serviu para vindicar o nome de Jeová. Mantendo a sua integridade a Jeová até a morte, Jesus provou que o pecado de Adão não foi devido a alguma falha da parte do Criador ao fazer o homem, mas que é possível a um humano conservar perfeita devoção piedosa mesmo sob severa pressão, e assim Jesus vindicou a Jeová Deus qual Criador e Soberano Universal. Além disso, Jeová propusera que a morte de Jesus proveria o necessário sacrifício humano perfeito para resgatar a descendência de Adão, e assim tornar possível a bilhões que exercessem fé viver para sempre num paraíso terrestre, em cumprimento do propósito original de Jeová e como expressão de seu grande amor pela humanidade. — João 3:16; Gên. 1:28.
Que tremenda carga havia sobre Jesus na sua última noite na terra como homem! Ele sabia o que seu Pai celestial havia proposto no que dizia respeito a ele, mas sabia também que tinha de se mostrar fiel sob teste. Se tivesse fracassado, que opróbrio teria sido para seu Pai e que perda para a humanidade! Por causa de tudo o que se realizaria por meio de sua morte, era muitíssimo apropriado que Jesus instruísse que fosse comemorada.


Que significam o pão e o vinho servidos na Comemoração?
A respeito do pão sem fermento, que Jesus deu a seus apóstolos ao instituir a Comemoração, ele disse: “Isto significa meu corpo.” (Mar. 14:22) Esse pão simbolizava seu próprio corpo de carne, sem pecado. Ele o daria a favor das perspectivas de vida futura da humanidade, e nessa ocasião chama-se atenção especial para a perspectiva de vida que esse torna possível aos escolhidos para ter parte com Jesus no Reino celestial.
Ao passar o vinho a seus fiéis apóstolos, Jesus disse: “Isto significa meu ‘sangue do pacto’, que há de ser derramado em benefício de muitos.” (Mar. 14:24) Esse vinho simbolizava seu próprio sangue vital. Por meio do seu sangue derramado seria possível o perdão de pecados para os que depositassem fé nesse sangue. Nessa ocasião, Jesus sublinhava a purificação do pecado que tal sangue tornaria possível para seus prospectivos co-herdeiros. Suas palavras indicam também que, por meio desse sangue, entraria em vigor o novo pacto entre Jeová Deus e a congregação cristã ungida pelo espírito.


Quem deve participar do pão e do vinho?
Quem participou quando Jesus instituiu a Refeição Noturna do Senhor pouco antes de morrer? Onze seguidores fiéis aos quais Jesus disse: “Eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino.” (Luc. 22:29) Todos eles eram pessoas que estavam sendo convidadas a participar com Cristo no seu Reino celestial. (João 14:2, 3) Todos os que participam hoje do pão e do vinho devem também ser pessoas a quem Cristo introduz nesse ‘pacto para um reino’.


Quantos são os que participam?

 Jesus disse que apenas um “pequeno rebanho” receberia o Reino celestial como recompensa. (Luc. 12:32) O número total seria de 144.000. (Rev. 14:1-3) Esse grupo começou a ser selecionado em 33 EC. Razoavelmente, haveria apenas um número pequeno que participaria atualmente.

Indica João 6:53, 54 que apenas os que participam realmente é que ganharão a vida eterna?
João 6:53, 54: “Jesus disse-lhes: ‘Digo-vos em toda a verdade: A menos que comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem se alimenta de minha carne e bebe meu sangue tem vida eterna, e eu o hei de ressuscitar no último dia.’” Este comer e beber teria obviamente de ser feito em sentido figurativo; do contrário, aquele que assim fizesse estaria violando a lei de Deus. (Gên. 9:4; Atos 15:28, 29) Mas, deve-se notar que a declaração de Jesus em João 6:53, 54 não foi feita com relação à inauguração da Refeição Noturna do Senhor. Ninguém que o ouviu tinha alguma idéia da comemoração com o pão e o vinho usados para representar a carne e o sangue de Cristo. Esse arranjo foi introduzido cerca de um ano depois, e o relato do apóstolo João sobre a Refeição Noturna do Senhor só começa mais de sete capítulos mais adiante (em João 14) no Evangelho que leva seu nome.
Assim, pois, como pode alguém ‘comer a carne do Filho do homem e beber o seu sangue’ em sentido figurativo a não ser por participar do pão e do vinho por ocasião da Comemoração? Repare que Jesus disse que os que assim comessem e bebessem teriam “vida eterna”. Antes, no versículo 40 , ao explicar o que as pessoas precisam fazer para ter vida eterna, o que disse ele ser a vontade de seu Pai? Que “todo aquele que observa o Filho e exerce fé nele tenha vida eterna”. Portanto, é razoável que o ‘comer sua carne e beber seu sangue’ em sentido figurativo seja por se exercer fé no poder redentor da carne e do sangue de Jesus, dados em sacrifício. Exige-se que todos os que ganharão a plenitude da vida, quer nos céus com Cristo, quer no Paraíso terrestre, exerçam tal fé.


Com que freqüência e quando deve ser celebrada a Comemoração?
Jesus não disse especificamente com que freqüência deveria ser celebrada. Disse simplesmente: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Luc. 22:19) Paulo disse: “Pois, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.” (1 Cor. 11:26) “Todas as vezes” não significa forçosamente muitas vezes por ano; pode significar anualmente por um período de muitos anos. Se alguém fosse comemorar um evento importante, como um aniversário de casamento, ou quando uma nação comemora um evento importante na sua história, com que freqüência faz isso? Uma vez por ano na data do aniversário. Isso estaria também em harmonia com o fato de que a Refeição Noturna do Senhor foi instituída na data da Páscoa judaica, uma celebração anual que não mais precisava ser guardada pelos judeus que se tornaram cristãos.
As Testemunhas de Jeová observam a Comemoração após o pôr-do-sol de 14 de nisã, segundo o cálculo do calendário judaico que era de uso comum no primeiro século. O dia judaico começa ao pôr-do-sol e se estende até o pôr-do-sol seguinte. Portanto, Jesus morreu no mesmo dia calendar judaico em que ele instituiu a Comemoração. O começo do mês de nisã era o pôr-do-sol depois da lua nova visível em Jerusalém, lua nova esta que era a mais próxima do equinócio da primavera setentrional. A data da Comemoração é 14 dias depois disso. (Assim, a data da Comemoração pode não coincidir com a da Páscoa celebrada pelos judeus da atualidade. Por que não? O início dos meses calendares deles é marcado para coincidir com a lua nova astronômica, não com a lua nova visível em Jerusalém, que pode surgir 18 a 30 horas mais tarde. Também, a maioria dos judeus hoje celebra a Páscoa em 15 de nisã, não no dia 14, como fez Jesus, em harmonia com o que a Lei mosaica estipulava.)





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