7 de fevereiro de 2012

O que o Alcorão diz sobre as Escrituras Sagradas


 Deus tem-se interessado pela humanidade desde que a criou. Adão foi o primeiro a receber Suas orientações. Mais tarde, Deus forneceu-as à humanidade através de Seus profetas, como Enoque, Noé, Abraão, Jó e Moisés. Começando com seu profeta Moisés, Deus inspirou a escrita de livros, que ainda estão disponíveis hoje em dia. Deus queria que toda a humanidade fosse instruída por ele e que encontrasse a felicidade seguindo as suas orientações.

 Quanto à obrigação de exercer fé nesses livros, o Alcorão enfatiza: “Todo crente verdadeiro tem fé em Deus, nos Seus anjos, nos Seus livros, nos Seus Mensageiros.” (A Vaca [2]:285) O Alcorão também fala sobre os fiéis que “crêem no que te foi revelado e no que foi revelado antes de ti e esperam pela vida eterna”. (A Vaca [2]:4) Mas o que significa “no que foi revelado antes de ti”?

 As Escrituras Sagradas são livros de Deus. São anteriores ao Alcorão, que os menciona muitas vezes e enfatiza que esses livros contêm as orientações de Deus. Lemos em A Tribo de Omran [3]:3, 4: “Fez descer sobre ti o Livro que contém a verdade e confirma o que foi revelado aos Mensageiros antes de ti. E fizera descer a Tora e o Evangelho [Injīl, em árabe], para servirem de guias aos homens.” (Veja também A Mesa Servida [5]:46, 47.) E encontramos em As Mulheres [4]:163: “Outorgamos os Salmos a David.” O Alcorão também incentiva recorrer a esses livros: “Se estiveres em dúvida sobre o que te revelamos, consulta os que têm lido o Livro desde antes de ti.” — Jonas [10]:94.

 O que significa exercer fé nos livros de Deus? Com certeza, significa mais do que reconhecer a sua existência. A fé genuína incluiria lê-los, conhecer seu conteúdo e aplicar o que dizem. Quando recebemos uma carta de uma pessoa amada, ansiamos lê-la. Naturalmente, nosso interesse maior é na carta e em quem a enviou, e não na pessoa que a entregou. Quanto mais deve ser assim quando Deus envia “cartas” através de seus mensageiros! Devemos ansiar ter essas cartas, lê-las e receber Suas orientações. Embora respeitemos os mensageiros de Deus, nosso interesse primário é ouvi-Lo e obedecê-Lo. Devemos guiar-nos por Seus livros e não fazer acepção de Seus profetas.

 Deus, como Preservador e Guardião de seus livros, os têm colocado à nossa disposição hoje. Ninguém jamais conseguirá eliminar ou alterar a Palavra de Deus. Isso porque são livros de Deus, não de homens. Eles nos foram dados por Deus para nos guiar no caminho certo. Você ficará profundamente comovido ao descobrir a mensagem que eles contêm.

Você acha que todos os que afirmam crer em Deus aplicam o que está escrito nos Seus livros? Muitos judeus e cristãos afirmam crer em Deus, mas será que as suas ações mostram que se apegam aos Seus livros? Não devemos julgar as Escrituras Sagradas à base dos que afirmam segui-las. Muitos se desviaram da fé verdadeira e afastaram-se das orientações divinas. Note Tito 1:14, 16.

O Alcorão chama a Tora e o Evangelho de “Livro luminoso” ou “Livro esclarecedor”. (A Tribo de Omran [3]:184; O Criador [35]:25) Muitos versículos alcorânicos dizem que esses livros se originam de Deus. (A Vaca [2]:89; O Gado [6]:92) Tanto a respeito da Tora como do Evangelho, lemos que neles “há orientação e luz”. (A Mesa Servida [5]:44, 46) E A Mesa Servida [5]:46 diz que no Evangelho há “uma confirmação da Tora e uma preleção para os que temem a Deus”. Muitos dos grandes interpretadores (como Al-Jalalayn, Al-Fakhr Al-Razi, Al-Tabari e Al-Baydawi) reconhecem que, segundo o Alcorão, a Tora é chamada de “Livro de Deus” (A Tribo de Omran [3]:23) e “Livro esclarecedor (As Fileiras [37]:117). Não obstante, alguns ainda acreditam que a Tora e o Evangelho atuais foram deturpados e não são confiáveis. Mas, se isso é verdade, quando é que se fez essa falsificação?

Do ponto de vista alcorânico, nenhuma deturpação poderia ter sido feita antes da escrita do Alcorão, pois muitos versículos alcorânicos exortam à fé na Tora e no Evangelho. (Por exemplo, veja A Vaca [2]:136; A Tribo de Omran [3]:84; As Mulheres [4]:136.) O Alcorão recomenda também consultar os versados na Tora e no Evangelho, dizendo: “Perguntai aos portadores da mensagem se desconheceis as provas e as Escrituras.” (As Abelhas [16]:43, 44; Os Profetas [21]:7) Será que o Alcorão recomendaria isso se esses textos tivessem sido deturpados? Ademais, muitos versículos alcorânicos conclamam os “adeptos do Livro” (a Tora e o Evangelho) a recorrer de novo a estes livros. (Por exemplo, veja A Mesa Servida [5]:66, 68.) Certamente não se faria um convite à obediência a livros deturpados!
 
Também não poderia ter havido uma deturpação depois da escrita do Alcorão, pois a comparação das Escrituras Sagradas atuais com manuscritos da Tora e do Evangelho (escritos quatro ou cinco séculos antes do Alcorão) mostra que não houve mudanças, ou deturpações. Esses manuscritos estão disponíveis em bibliotecas públicas e em museus.
 
Não obstante, ainda há quem objete, dizendo que existem certos versículos alcorânicos que falam de uma deturpação (tahrif, em árabe). Mas o que dizem sobre isso os eruditos muçulmanos? Tratados explicativos falam de duas formas de deturpação: (1) falsificação do texto (alterar qualquer caractere) e (2) distorcer o significado do texto. Os comentaristas muçulmanos não são unânimes quanto a se a deturpação em questão se refere à alteração do texto escrito.
 
 No “Livro do Monoteísmo”, que é parte de sua Sahih, Imām Al-Bukhari dá a seguinte explicação do sentido da palavra “tahrif”: “Tahrif significa alteração. No entanto, ninguém pode alterar qualquer caractere num livro de Deus. Fez-se tahrif do texto no sentido de torcer seu significado [má interpretação].” Em seu comentário sobre As Mulheres [4]:46, Imam Al-Fakhr Al-Razi diz: “Deturpação (tahrif) significa introduzir dúvidas vãs, explicações erradas e, por meio de truques verbais, trocar o sentido certo da palavra por um sentido infundado, como fazem os hereges hoje com os versículos que contestam a sua própria seita. Esse é o conceito mais correto.” Ao comentar sobre A Mesa Servida [5]:13, ele diz: “Essa deturpação (tahrif) poderia ser [1] interpretação falsa, e poderia ser [2] alterar o texto escrito. Contudo, já vimos que a primeira explicação é a mais provável, pois é impossível alterar o texto escrito de um livro legado numa sucessão ininterrupta e ampla.” As interpretações que muitas religiões dão em apoio de suas crenças falsas são exemplos de distorções do significado dos livros de Deus.
 
A legitimidade das Escrituras Sagradas é incontestável! Todos os que acreditam no Alcorão têm de admitir que o texto das Escrituras Sagradas não foi deturpado. Não pode haver dúvida de que as Escrituras Sagradas sejam a Palavra de Deus, pois elas não mudaram desde os dias em que o Alcorão disse que na Tora e no Evangelho há “orientação e luz”, e que “inalteráveis são as palavras de Deus”. — O Gado [6]:34.
 
Será que o judaísmo e a cristandade deturparam a Tora e o Evangelho?
  AS PESSOAS em geral tentam mudar o que as perturba. Mas Deus não permitiu que os opositores deturpassem Seus livros sagrados.  

Considere: se é verdade que os judeus conseguiram deturpar as palavras nos livros de Deus, por que não alteraram os textos que denunciam a desobediência e rebelião deles contra Deus? E por que não mexeram nas passagens que revelam que Deus teria tratos com outras nações e que anularia o pacto que fizera com eles como Seu povo especial? (Isaías 1:2-20; Jeremias 31:31-34; Daniel 9:24-27) Ademais, por que os judeus não mudaram o texto das inúmeras profecias a respeito de Cristo para justificar o fato de o terem rejeitado? Similarmente, se a cristandade tivesse conseguido deturpar as Escrituras Sagradas, por que não distorceu os textos que refutam as crenças dela?  De fato, podemos estar certos de que Deus preservou a integridade da mensagem de seus livros para que toda a humanidade hoje pudesse ter acesso às Suas orientações.
 
SALAM A TODOS

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