1 de novembro de 2011

Aprenda tudo sobre investimentos em ações


Publicada em 11/08/2006 às 13h22m
O Globo Online
Se você tem dúvidas simples sobre finanças, saiba que não está sozinho. Para entender um pouco mais o vaivém do mercado, o Globo Online organizou algumas perguntas e respostas básicas sobre o assunto.
O que é uma ação?
Uma ação representa um "pedaço" de uma determinada empresa. Quando um investidor compra uma ação na Bolsa de Valores, ele se torna um sócio da companhia, mesmo que em proporção pequena em relação ao controlador, que é chamado de sócio majoritário. As ações costumam acompanhar o valor da empresa. Se ela tiver bom desempenho, o valor da ação tende a subir. Se for mal, o valor cai.
Todas as ações são iguais?
Existem diferentes ações, que designam direitos e poderes diferentes a seus detentores. Nas ações preferenciais (PN), por exemplo, o detentor tem preferência no recebimento de dividendos (percentual sobre o lucro da companhia), embora não tenha direito a votar nas decisões do Conselho Administrativo. Já as ações ordinárias (ON) dão o direito a voto nas decisões da empresa, mas não têm preferência na distribuição de resultados. Existem também as "units", que são recibos representativos de uma pequena cesta de ações da mesma empresa.
O que eu preciso fazer para comprar ação de uma empresa? Há investimento mínimo?
Em tese, não há um investimento mínimo, mas as ações (ou seus lotes) têm valores diferentes. É como ir ao supermercado: não há um limite mínimo a ser gasto, mas alguns produtos são bem mais caros que outros.

Eu só vou ganhar quando vender essa ação ou posso ter algum ganho extra?
Sim, você pode ter ganho extra se a empresa pagar dividendos, que são nada mais do que uma parcela do lucro da empresa dividida entre os acionistas. Pela lei, a empresa deve pagar no mínimo 25% do lucro a título de dividendo. Porém, em assembléia de acionistas, as empresas podem optar por não pagar dividendos e reinvestir o lucro.
É arriscado investir em ações?
O valor das ações oscila e, por isso, elas são chamadas de 'ativos de renda variável' e consideradas investimento de risco. O que determina se o valor da ação vai subir ou cair é o desempenho dela no mercado, que pode também receber interferência da economia como um todo, da política econômica do governo, e de fatores externos, como queda de preços no mercado internacional. Por isso, quem investe em bolsa deve buscar ações de empresas sólidas ou orientação de um profissional de confiança. Também deve ter em mente que este é um investimento de longo prazo. O valor da ação pode cair hoje e se recuperar daqui a alguns meses.
É possível investir pequenos valores em ações?
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está em plena campanha para atrair o pequeno investidor. O site da bolsa ( www.bovespa.com.br ) oferece grande quantidade de informações, com destaque para um guia eletrônico no qual o iniciante pode tirar dúvidas sobre o funcionamento do mercado. Outra opção é ingressar nos clubes de investimento, nos quais os aplicadores se associam em grupos e fazem depósitos regulares, sempre assessorados por uma corretora de valores.
Se a empresa sair da Bolsa ou falir eu tenho alguma proteção?
A saída de uma companhia da Bolsa geralmente acontece com a recompra das ações que estão nas mãos de investidores. Essa recompra em geral é feita pelo valor médio de mercado dos papéis em um determinado período. Os casos de falência são mais sérios, porque o investidor minoritário também é um sócio da empresa. Portanto, ele está sujeito aos prejuízos gerados pela falência, assim como os sócios majoritários.
Para comprar ação de uma empresa eu preciso ser cliente de uma corretora?
À exceção dos fundos de ações, que podem ser adquiridos em seu banco, você deve procurar uma corretora de valores se quiser comprar ações. As corretoras são intermediárias do negócio e mantêm analistas para fornecer informações a respeito das ações, empresas e setores econômicos. Assim, ajudam a escolher o momento certo de comprar ou vender ações. Para isso, cobram taxas de administração.
Nos fundos de ações oferecidos pelos bancos, não há necessidade de associação a uma corretora. No entanto, a composição das carteiras e a decisão sobre o momento certo de comprar ou vender ações são decisões tomadas pelos gestores do fundo. Mesmo nos clubes de investimento onde um grupo de pessoas se reúne para investir, é necessário que uma corretora seja contratada.

O que é exigido para ser cliente de uma corretora?
É necessário abrir uma conta na corretora escolhida, semelhante a uma conta bancária. Serão exigidos alguns documentos, como CPF, RG, comprovante de residência e comprovante de conta bancária (cópia de folha de cheque).
O que é o Ibovespa? Posso investir direto nele?
O Índice Bovespa (Ibovespa) reflete o desempenho das principais ações da Bovespa. Representa uma carteira de ações, que têm pesos diferentes dentro dessa cesta. Assim, o índice serve como um termômetro do comportamento do mercado de ações e serve como referência para fundos e como "medida" do desempenho da bolsa. As ações do Ibovespa respondem por mais de 80% dos negócios do mercado à vista.
Não é possível investir "direto" no Ibovespa, porque ele é um índice teórico, hipotético. A forma mais fácil de acompanhar seu desempenho é ingressando em um fundo que reproduza a carteira do índice, com as mesmas ações e suas proporções.

Vale a pena colocar dinheiro em fundo de ações?
Se o aplicador quiser uma aplicação de curto prazo, é melhor procurar investimentos corrigidos por taxas de juros, onde não há volatilidade. A bolsa passa a ser mais vantajosa e segura em investimentos de longo prazo, superiores a um ano. Mesmo que o investidor esteja pensando em um investimento mais longo, ele não deve colocar na bolsa todos os recursos de que dispõe para aplicar.
Quais as empresas que são melhor negócio na bolsa?
As melhores empresas para se aplicar são as que têm maior potencial de ganhos no futuro. Para isso, é preciso saber sobre as perspectivas de desempenho da companhia e do setor no qual ela atua. O investidor não pode se deixar iludir por altas ou baixas expressivas em um período recente. O que vale é a perspectiva para a ação. Por isso, uma das máximas da bolsa diz que "rendimento passado não é garantia de rendimento futuro".
O que faz a ação de uma empresa cair ou subir?
A variação de uma ação acontece de acordo com a relação entre oferta e procura. Ela sobe quando a procura supera a oferta, e cai quando a oferta supera a procura. Esse movimento ocorre de acordo com o desempenho da empresa e as expectativas que os investidores têm para o futuro dela. Por isso é importante saber sobre a saúde financeira da companhia. As projeções podem ser alteradas a qualquer momento também por questões externas ao desempenho da empresa e que tenham influência sobre ele.
O que significa dizer: "A bolsa de valores fechou em baixa/alta de X%"?
Os índices da bolsa refletem o desempenho das ações nela negociada, levando em conta os volumes negociados em cada papel. Quando um índice da bolsa sobe, significa que o desempenho médio de um determinado grupo de ações teve valorização. Na queda, significa que aquele grupo de ações sofreu uma perda de valor.
Se eu investir em ações, corro o risco de perder todo o meu dinheiro?
Somente nos casos de falência da empresa é que é possível perder todo o dinheiro. Mesmo em casos de crises que geram maior volatilidade, a perda total é impossível, porque significaria que a empresa perdeu todo o seu valor.
Quantas pessoas físicas aplicam na bolsa hoje?
A Bovespa não informa o número de investidores pessoa física, mas informa que eles representam cerca de 25% do total de investidores, que inclui instituições financeiras, empresas, fundos de pensão e investidores estrangeiros.
Quais são os primeiros passos para quem quer aprender a investir na bolsa?
É possível, por exemplo, escolher a ação de uma determinada empresa para comprar. Mas os analistas costumam sugerir ao investidor iniciante ingressar num fundo de investimento, para se acostumar à volatilidade do mercado de ações. É preciso escolher uma corretora de banco ou do mercado. De preferência, escolha uma que dê a oportunidade de conversar com seus analistas. Com isso, poderá conhecer os mecanismos do mercado. Também pode ser útil começar a "freqüentar" os sites de empresas nas quais está interessado de investir. Informações sobre balanços e perspectivas podem ser úteis na hora de tomar decisões.
O que é o PIBB?
É um fundo de investimento constituído por 50 ações das empresas mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (compõem o Índice Brasil 50). Essas ações estavam em poder do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A vantagem é que o investidor obterá todo o ganho das ações, mas tem a opção de revender ao BNDES em prazo de um ano, pelo mesmo preço da compra. Essa proteção vale para investimentos de até R$ 25 mil.
O que acontece quando os jornalistas dizem: "O mau humor do mercado financeiro..."?
Esse "mau humor" é sempre um processo de venda de ações ou outros papéis, desencadeado por alguma notícia ou circunstância ruim. Se muitos decidem vender, o preço das ações cai, já que haverá muita oferta de papéis no mercado. Mas nem sempre essa decisão de vender é causada por notícias negativas. Há dias em que grandes investidores decidem vender simplesmente para embolsarem o lucro que já obteve até aquele momento com a valorização de ações de uma ou de mais empresas. 


Ações para você
Se você decidiu investir em ações, significa que fez uma avaliação criteriosa de suas necessidades e objetivos, e está disposto a investir por um longo período de tempo.
Fundamentalmente, o mercado acionário poderá proporcionar ganhos aos investidores com o crescimento da economia e consequente aumento no lucro das empresas que possuem ações negociadas na Bolsa de Valores.
Esses ganhos para o investidor vêm por meio dos dividendos distribuídos por essas empresas e pela valorização de suas ações no mercado. Comprar ações na Bolsa de Valores é, portanto, uma forma de participar dos resultados gerados pelas empresas em sua atividade. Quanto maior for o lucro que elas apurarem em cada exercício, maior também será a sua parte, já que cada ação representa uma unidade do capital de uma empresa.
A forma mais segura de aumentar seu patrimônio com ações ao longo do tempo é pela montagem de uma carteira diversificada, ou seja, constituída de papéis de diferentes empresas, de diferentes setores de atividade.


Dos 20 aos 40 anos
Esta é uma fase da vida em que há uma enorme pressão para gastos, de um lado, e poucos recursos para investimentos, de outro.
Você quer comprar a casa, o carro, fazer uma boa viagem etc. No entanto, seu salário ainda está engatinhando. Mas, investimento é o resultado de uma equação na qual os ingredientes são tempo e dinheiro. Quanto mais você tiver de um, menos precisará do outro.
Objetivos de longo prazo, tais como comprar uma casa nova, ter a aposentadoria dos seus sonhos, pagar a universidade dos seus filhos, exigem uma quantia considerável de recursos. Diversificar investindo em ações pode ser seu grande aliado para conseguir conquistar esses ou qualquer outro objetivo que exija uma valorização expressiva do seu patrimônio, desde que você tenha tempo para esperar isso acontecer.


Dos 20 aos 30 anos de idade, mais do que dinheiro, você tem tempo para investir. Por isso, esta é fase em que a parcela em ações pode compor boa parte de sua carteira de investimentos. Assim, suas chances de ter sucesso em seus investimentos de longo prazo aumentam consideravelmente.
Quando você começa a investir em ações, ainda jovem, e faz suas aplicações regularmente, consegue reduzir bastante o risco inerente a esse mercado. Isso porque você vai usar uma técnica que os especialistas conhecem como dollar-cost averaging, ou custo médio, que consiste basicamente em aplicar em ações todo mês a mesma quantidade de dinheiro. Nos meses em que as ações estiverem em alta, ou seja, caras, você comprará poucas ações. Mas nos meses em que elas estiverem em baixa (baratas), com a mesma quantidade de dinheiro você comprará mais ações, diminuindo portanto seu custo médio.
Assim, como a tendência é que se valorizem no longo prazo, o preço médio de suas ações tende a ser bem razoável.


Dos 40 aos 60 anos
Você ainda tem um horizonte de longo prazo para construir sua carteira de investimentos e, por isso, a parcela de investimento em ações dentro da sua carteira ainda pode ser relevante.
Esta é uma fase em que seu salário já não é tão baixo, embora a pressão por gastos ainda seja alta. Neste momento é importante observar que, na hora de selecionar seus objetivos, as aplicações visando a aposentadoria devem estar no topo de suas preocupações.
Revisar periodicamente sua carteira e fazer uma realocação de ativos sempre que necessário também é uma atitude prudente nessa fase da sua vida.
Diferentemente do momento anterior (dos 20 aos 30 anos), quando você pode errar quantas vezes quiser, agora é fundamental que seus acertos sejam bem maiores. Outro ponto para que os analistas chamam atenção é: reduza um pouco a parcela das ações de crescimento (growth stocks) de sua carteira e procure mais as ações de valor (value stocks).
Se você ainda não teve a oportunidade de iniciar sua carteira de investimentos em ações, saiba que ainda está em tempo.


A partir dos 60 anos
Nesta fase da vida você ainda pode ter ações em seu portfólio de investimento.
A expectativa de vida está cada vez mais alta, por isso, desprezar ações, mesmo depois de aposentado, pode comprometer seu padrão de vida no futuro.
No longo prazo, historicamente, as ações costumam bater com mais folga as taxas de inflação.
Dessa forma, você protege seu patrimônio da corrosão inflacionária que, no longo prazo, tende a reduzir significativamente seu poder aquisitivo.
Neste estágio, você deve privilegiar as ações de valor (value stocks). Papéis de empresas que pagam bons dividendos regularmente, devem representar a maior parcela de sua carteira de ações. As ações de valor podem proporcionar maior equilíbrio à sua carteira durante momentos de crise. Além disso, o pagamento regular de dividendos serve como uma renda e ajudará seu fluxo de caixa.
Os investidores americanos costumam usar uma regra que sugere que eles subtraiam de 100 sua idade e a diferença corresponda à parcela da carteira que deve ser aplicada em ações. Assim, se você tem 60 anos de idade, sua carteira de investimentos deve ter 40% aplicados em ações. No entanto, como o mercado brasileiro ainda tem muita volatilidade (oscilação), esta pode não ser uma boa medida.
O melhor é que você faça uma análise criteriosa de sua carteira. Invista em ações apenas a parcela de suas aplicações que, mesmo em momentos de crise, não irá comprometer sua saúde financeira.
Ações para seus filhos
Esta é uma excelente decisão: pensar no futuro de seus filhos. Investimento em ações é indicado para quem tem um horizonte longo de tempo, e com certeza seus filhos se encaixam nesta regra.
Ao fazer uma carteira de ações para seu filho tente, na medida do possível, aproximá-lo do investimento. Ele entenderá perfeitamente se você fizer referência aos nomes das empresas e ele passará, inclusive, a ficar mais atento às notícias sobre determinada empresa. Ele certamente não será capaz de fazer análises de empresas, mas é uma forma muito interessante de ensinar conceitos de investimentos ao seu filho, e ainda lhe mostrar o elo com o setor produtivo, com a economia real.
Os investimentos em ações devem compor a maior fatia da carteira de seus filhos. Como ainda são crianças, eles têm uma chance enorme de sucesso com suas aplicações, pois o tempo conta a seu favor. Assim, você estará contribuindo para que seu filho chegue à idade adulta com uma boa reserva financeira e ainda, o que é mais relevante, terá ensinado as noções básicas de investimentos para que seja um adulto financeiramente responsável.
Não importa a idade de seu filho, se ele já tiver documentos como CPF e carteira de identidade, poderá abrir sua própria conta em uma corretora. Os pais serão responsáveis pela movimentação dessa conta, mas os investimentos ficam em nome da própria criança.
 

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